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Corredor Bioceânico: contribuição histórica e empresarial

Durante o segundo evento de conscientização, “O Corredor Bioceânico como uma Oportunidade para o Desenvolvimento Local”, especialistas explicaram que tanto a liderança empresarial quanto a perspectiva histórica são elementos-chave para planejar um futuro de integração regional.

Apresentações do líder empresarial Ernesto Altea e Joaquín Carrillo, presidente do Instituto Belgraniano de Jujuy, ofereceram insights de diversas perspectivas para entender o presente e avançar em direção ao futuro.

A Argentina, juntamente com Chile, Brasil e Paraguai, avança de forma constante neste projeto visando à integração e ao desenvolvimento regional, com ações concretas para consolidar políticas públicas uniformes que impulsionem o comércio e o potencial produtivo do corredor.

A apresentação de Ernesto Altea, intitulada “Liderança Empresarial”, enfocou a necessidade de encarar o Corredor Bioceânico como uma oportunidade de crescimento para o turismo e pequenas e médias empresas de serviços.

“Todo este encontro está ligado ao desenvolvimento de PMEs que atendem ao turismo e ao impacto previsível e explorável do Corredor Bioceânico. Minha visão não pretende ser uma verdade imutável, mas sim uma perspectiva a ser compartilhada”, disse ele em entrevista ao El Tribuno de Jujuy .Corredor Bioceânico: contribuição histórica e empresarialPARTICIPAÇÃO | JOAQUIN CARRILLO E ERNESTO ALTEA DURANTE O DIA.

Altea enfatizou que a liderança se constrói com base em produtos concretos, com ênfase na qualidade do serviço e em preços razoáveis. “Acho essencial entender o fenômeno peruano, o que eles fazem tão bem, como conseguem atrair e consolidar um fluxo constante de turismo — um turismo que respeita a identidade, as tradições e a cultura locais”, disse ele, sugerindo analisar casos locais.

Jujuy, pioneira

Nesse sentido, Altea enfatizou que a província já tem um histórico claro de liderança em integração. “Jujuy conquistou Jama quando ninguém acreditava que fosse possível. Demos esse passo junto com os chilenos de Calama, em um contexto em que chegar a acordos com as chancelarias era muito complexo. Esse é um exemplo concreto de liderança”, lembrou.

Ele também enfatizou que a Garganta de Humahuaca sempre foi um corredor bioceânico natural: “Era uma encruzilhada entre povos da selva, dos vales e da Puna. Os pucarás funcionavam como postos alfandegários na foz das gargantas. De lá, as pessoas subiam a cordilheira e desciam em direção ao Pacífico, conectando-se com San Pedro de Atacama e outras comunidades. As evidências são concretas: colares com conchas foram encontrados em tumbas da região.”

No entanto, o líder empresarial considerou que ainda há áreas que precisam ser fortalecidas. “Falta-nos infraestrutura logística. No Brasil, existem centros logísticos espetaculares com serviços de transporte completos. Na Argentina, com exceção de alguns pontos no sul ou em La Rioja, isso não existe, e é um diferencial fundamental se quisermos competir”, concluiu.

A história como eixo unificador no caminho da integraçãoCorredor Bioceânico: contribuição histórica e empresarialJOAQUIN CARRILLO

Durante o evento de conscientização, Joaquín Carrillo, presidente do Instituto Belgraniano de Jujuy, falou sobre “A história como elo de conexão na Rota Bioceânica”. Sua apresentação se concentrou em como os povos da região, desde os tempos pré-hispânicos, vivem seu cotidiano por meio de uma rede de intercâmbios culturais e comerciais que continua até hoje na construção do corredor.

“Comunidades indígenas utilizavam os rios para navegar e trocar mercadorias. Madeira, penas, mandioca e erva-mate eram transportadas da selva para a Puna, e sais, couro, cerâmica e pedras vulcânicas eram trazidos dos vales e desfiladeiros. Isso demonstra que sempre existiu um corredor entre o Atlântico e o Pacífico”, explicou. Ele enfatizou que a chegada dos jesuítas fortaleceu essas conexões por meio de missões e operações de mineração, que continuaram até sua expulsão. Mais tarde, nos períodos colonial e pós-colonial, a troca de gado e plantações continuou. Quando questionado sobre a contribuição da história para esse processo, Carrillo afirmou: “O que contribuímos é nossa compreensão das culturas, tradições e o que torna cada região única: comida, acomodações, paisagens, arqueologia. O Chile oferece o deserto e o mar; o Paraguai e o Brasil, a selva e suas plantações; e em Jujuy, temos um mosaico único de possibilidades.”

“Tudo isso faz parte do corredor.” Em sua análise, ele também se referiu a momentos dolorosos e cruciais na região, como a Guerra da Tríplice Aliança. “O Paraguai era a nação mais próspera da América do Sul e foi destruído em benefício de potências estrangeiras. Essa história também faz parte da nossa identidade e deve servir de lição para construirmos a integração cultural e econômica.”

O caminho para o futuro

Tanto do ponto de vista empresarial quanto histórico, os especialistas concordaram que o corredor não pode ser pensado apenas como uma rota de transporte, mas como uma plataforma para integração econômica, cultural e turística. “Acredito que o maior potencial reside na zona tropical, onde existem reservas hídricas, cultura, arqueologia e paisagens únicas. Tudo isso será potencializado com os corredores bioceânicos”, afirmou Joaquín Carrillo, destacando também sua experiência em turismo e promoção de roteiros culturais na Bolívia e na região.

Por sua vez, Ernesto Altea enfatizou que Jujuy tem a experiência, a liderança e a história para liderar esse processo, mas precisa fortalecer sua infraestrutura. As conclusões de ambas as apresentações demonstram que o corredor não apenas conectará oceanos, mas também poderá conectar culturas, tradições e oportunidades de desenvolvimento, desde que a região possa unir forças em torno de uma visão comum para o futuro.

Fonte: El Tribuno de Jujuy

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