Corredor Bioceânico: conectando o Brasil aos portos do Pacífico
O Corredor Bioceânico surge como uma alternativa estratégica para a integração comercial e logística entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. Com uma extensão de 2.290 km, ligando Campo Grande (MS) aos portos do norte chileno, o projeto visa impulsionar a economia regional e reduzir custos de transporte para mercados do Pacífico, especialmente China e Japão.
Regiões abrangidas
O corredor atravessa seis grandes regiões:
- São Paulo / Mato Grosso do Sul (Brasil);
- Chaco Paraguaio (Paraguai);
- Províncias de Salta e Jujuy (Argentina);
- Regiões de Antofagasta e Tarapacá (Chile).
Infraestrutura e Travessias
O percurso inclui sete travessias de fronteira, facilitando o fluxo de mercadorias e pessoas:
- Porto Murtinho (Brasil) – Carmelo Peralta (Paraguai);
- Pozo Hondo (Paraguai) – Missão La Paz (Argentina);
- Passo Jama, Passo Sico e Estação Socompa (Chile).
No Pacífico, o corredor se conecta a quatro portos principais: Antofagasta, Mejillones, Tocopilla e Iquique, facilitando a exportação de produtos brasileiros e paraguaios para mercados asiáticos.
Objetivos do projeto
A proposta do Corredor Bioceânico busca:
- Integrar economicamente Brasil, Paraguai, Argentina e Chile;
- Reduzir custos e tempo de transporte para mercados do Pacífico;
- Estimular investimentos em infraestrutura e desenvolvimento regional;
- Criar cadeias produtivas e agregar valor às exportações da região.
Governança e acordos internacionais
Desde 2015, os governos dos quatro países envolvidos têm trabalhado na viabilização do corredor. Entre os principais marcos, destacam-se:
- Declaração de Assunção (2015): Acordo entre os presidentes para priorizar o projeto.
- Declaração de Brasília (2017): Confirmação do apoio ao corredor rodoviário.
- Grupo de Trabalho Quadripartite: Coordenação de estudos técnicos e infraestrutura.
Avanços e conquistas
O Paraguai tem sido um dos países mais ativos na execução do projeto, com destaque para:
- Conclusão do primeiro trecho entre Carmelo Peralta e Loma Plata;
- Licitação do trecho Mariscal Estigarribia – Pozo Hondo (220 km);
- Construção da Ponte Bioceânica entre Carmelo Peralta e Porto Murtinho, com 1.300 metros de extensão e investimento de US$ 90 milhões.
Impacto na logística e economia
O Corredor Bioceânico promete revolucionar o transporte de cargas da região. Atualmente, mercadorias do Mato Grosso do Sul demoram cerca de 62 dias para chegar ao Japão via Atlântico. Com a nova rota pelo Pacífico, esse tempo pode ser reduzido pela metade, economizando até 8.000 km no trajeto.
Os principais setores beneficiados incluem agronegócio, indústria e comércio exterior, fortalecendo a competitividade regional e atraindo novos investimentos.
Desafios e oportunidades
Apesar dos avanços, desafios ainda persistem, como a necessidade de investimentos complementares em infraestrutura, harmonização de regulamentações alfandegárias e logísticas, além da cooperação constante entre os países envolvidos. No entanto, a viabilidade econômica e estratégica do corredor aponta para um futuro promissor, consolidando-se como uma rota essencial para o desenvolvimento da região.
Próximos passos
O projeto segue avançando com reuniões técnicas e obras em execução. Nos próximos meses, representantes dos países envolvidos se reuniram em Antofagasta para discutir novas etapas e estratégias de implementação.
Com potencial para transformar a logística da América do Sul, o Corredor Bioceânico é uma aposta ambiciosa na integração regional e no desenvolvimento econômico dos países participantes.