Conselho de Concessões do MOP rejeita novamente projeto rodoviário ligado ao Corredor Bioceânico
O Conselho de Concessões do Ministério de Obras Públicas (MOP) rejeitou pela terceira vez a declaração de interesse público de um projeto de infraestrutura rodoviária, que consiste em uma via dupla entre Calama e o Passo Binacional Jama (Chile-Argentina) e que é ligado ao Corredor Biooceânico.
A proposta, apresentada pela Gocgroup Inversiones SpA, buscava intervir nas rotas 27 Ch e 23 Ch com um investimento próximo a US$ 600 milhões. Essa situação causou “estranheza” na Confederação Nacional de Proprietários de Caminhões do Chile (CNDC).
“Para o transporte, essa decisão só pode ser entendida a partir de uma lógica burocrática. Contudo, é um péssimo sinal quando vemos as deficiências e insuficiências da rede rodoviária que, no nosso território, iria ser um importante elo de ligação no corredor entre os oceanos Pacífico e Atlântico, tão necessário ao desenvolvimento nacional e, em particular, em particular, para o norte do Chile”, informou o sindicato.
“A recusa também não condiz com a estratégia do Presidente da República, que junto com seu homólogo paraguaio expressou recentemente seu compromisso com o corredor bioceânico, algo que o mesmo presidente enfatizou posteriormente durante sua visita a Antofagasta”, acrescentou.
Vale lembrar que o presidente do Chile, Gabriel Boric, determinou em julho deste ano a criação de uma comissão multissetorial para agilizar os esforços de desenvolvimento do Corredor Rodoviário Bioceânico (CBV). Da mesma forma, Paraguai, Argentina, Brasil e Chile concordaram recentemente em promover as ações necessárias para a pronta implementação do CBV.
Neste contexto, Juan Bassi, vice-presidente da CNDC, disse que “é uma questão muito complexa. Não há investimento em uma rota que não responda ao crescente tráfego internacional de cargas, como a Jama. De San Pedro até a fronteira, há um grande movimento de caminhões de alta tonelagem, todos os dias, mas com uma faixa por lado. Se não houver solução, os problemas vão aumentar e teremos uma situação séria.”
A decisão do Conselho de Concessões não agradou ao setor, já que “pode adiar até quando um projeto inserido no contexto dos corredores bioceânicos. Ainda mais em circunstâncias em que o Peru inaugurou o megaporto de Chancay há 14 dias, que enfrentará uma competição muito acirrada com o Chile nos mercados da Ásia-Pacífico. “Portanto, fica clara a falta de visão estratégica por parte das nossas autoridades responsáveis”, explicou.
Na mesma linha, a CNDC destacou que na Região de Antofagasta “também não há investimento rodoviário suficiente, o que inclui estradas locais. A rota para Jama ficará congestionada e isso significa risco de acidentes, possível perda de vidas humanas e perda de comércio com a região do Atlântico.”
“Nesse cenário, a CNDC expressa seu total comprometimento com o progresso das condições de infraestrutura que permitam ao país melhorar suas condições de competitividade internacional, bem como o desenvolvimento de áreas extremas. “Portanto, só podemos expressar nossa surpresa com a decisão do MOP”, concluiu a declaração do sindicato.
Fonte: Portal Portuario/ARG