Carne, Mercosul e Corredor Bioceânico, Panamá e Paraguai estreitam laços
Paraguai e Panamá estreitam relações. O presidente do país sul-americano, Santiago Peña Palacios, concluiu sua visita ao Istmo com um encontro com o Presidente da República, José Raúl Mulino, no Palácio de las Garzas, e uma apresentação perante o plenário da Assembleia Nacional.
Peña Nieto foi chamado de “amigo” por Mulino e é considerado um ator fundamental na inclusão do Panamá no Mercado Comum do Sul (Mercosul). O Paraguai foi o primeiro país que Mulino visitou oficialmente após assumir a presidência da República em julho de 2024.
“Podemos colaborar para articular cadeias logísticas e comerciais que nos conectem com o resto do mundo. Aproveitando as vantagens comparativas de ambos os países para impulsionar o investimento, o comércio e a inovação. Assim como o Canal do Panamá se consolidou como um polo estratégico para o comércio internacional, facilitando o trânsito através dos oceanos, o Corredor Rodoviário Bioceânico se posiciona como um eixo fundamental para conectar a produção e as importações do coração da América do Sul com os mercados globais”, afirmou o presidente paraguaio.
O Corredor Bioceânico é um megaprojeto desenvolvido pela Argentina, Brasil, Chile e Paraguai desde 2015. Inclui 2.290 quilômetros de rodovia para conectar os portos de Coquimbo, no Chile, a Porto Alegre, no Brasil. Trata-se de um projeto avaliado em mais de US$ 10 bilhões e representará uma alternativa ao Canal do Panamá para os países sul-americanos que buscam movimentar mercadorias entre os dois oceanos. No caso específico do Paraguai, o governo espera reduzir em 25% os custos logísticos das exportações de soja (o país é o quarto maior produtor mundial) ao não precisar passar pelo Canal. A previsão é de que o projeto seja concluído em 2026.
A estratégia do atual governo busca posicionar a América do Sul não como uma rival comercial, mas como uma aliada fundamental. Para isso, o presidente Mulino realizou viagens importantes à região, reunindo-se com líderes políticos e empresariais. A previsão é que ele viaje este ano e apresente formalmente a Carta do Panamá em 2 de dezembro, aderindo assim plenamente ao bloco comercial. Isso permitirá a exportação de produtos locais como abacaxi, melancia, melão, mandioca e mamão.
O presidente Mulino também mencionou, durante declaração conjunta com o presidente paraguaio, que eles discutiram um “projeto” para integrar os sistemas financeiros de ambos os países e que a carne bovina paraguaia poderia ser vendida no mercado panamenho.
“Em breve, nos próximos dias, teremos o primeiro embarque de carne para exportação do Paraguai para o Panamá. Esta é uma conquista tremenda para este mecanismo bilateral e, claro, para todo o processo. Se tudo avançar, precisamos buscar posicionar o Panamá como um polo de conectividade”, afirmou Mulino, acrescentando a possibilidade de integração de outros setores. “Estamos falando de medicamentos, de estabelecer empresas fabricantes de medicamentos genéricos e não genéricos aqui — enfim, coisas que ambos os países precisam, e que temos aqui ao lado, e não percebemos que podemos integrá-las”, acrescentou.
O interesse parece ser mútuo. “Vemos as condições de investimento entre nossos países com grande otimismo. O Panamá oferece um ambiente jurídico e tributário atrativo para que empresas paraguaias se estabeleçam e cresçam. Por sua vez, nosso país, o Paraguai, com uma economia cada vez mais estável e aberta, convida os investidores panamenhos a explorar oportunidades em setores como agronegócio, energia, infraestrutura e tecnologia”, enfatizou o Presidente Peña Nieto.
Em relação à segurança, ele enfatizou a necessidade de coordenar esforços para combater o crime organizado e expressou sua gratidão pelo treinamento de unidades motorizadas. “Meu país está firmemente comprometido com a cooperação regional em questões de segurança e reconhece o Panamá como um aliado estratégico com quem compartilhamos valores democráticos e o compromisso inescapável de proteger nosso povo. Nesse sentido, quero expressar especial gratidão ao Panamá pela valiosa cooperação prestada no treinamento policial, que foi fundamental para a formação do Grupo Lince no Paraguai, a unidade de operações táticas motorizadas da Polícia Nacional, criada com base na experiência panamenha e que conquistou a confiança da população com resultados muito positivos”, explicou Peña. Em relação à situação na Venezuela, reiteramos a urgência do retorno pleno à democracia e do respeito à vontade do povo. Celebramos a recente concessão do Prêmio Nobel da Paz a María Corina Machado, símbolo de coragem cívica e da luta pacífica pela liberdade. Também valorizamos o papel do Panamá na convocação do Ato de Reivindicação Democrática de 2024 na Venezuela e nas Américas, para salvaguardar cópias da ata que atestou a vitória do presidente eleito Edmundo González Urrutia, um gesto que reafirma o compromisso do Panamá com as instituições democráticas em nossa região.
Os líderes de ambos os países se encontraram acompanhados de seus chanceleres. O presidente Mulino convidou seu homólogo a participar do Fórum Econômico que a CAF realizará no Panamá no final de janeiro de 2026. Embaixadores e ministros de ambos os países também participaram da reunião.
Fonte: La Estrella de Panamá

