Campo Grande pode ser o escritório da Rota Bioceânica, defende Prefeitura
Na audiência pública realizada na manhã desta segunda-feira (8), na Câmara Municipal, foi defendido que Campo Grande pode ser o escritório da Rota Bioceânica.
Além disso, como a rota levará a países da Ásia, o comércio de eletrônicos e até alimentício pode ficar bem mais fácil e barato para moradores da Capital.
Participaram da audiência representantes do Ministério de Planejamento e Orçamento, de forma remota, vereadores e representantes comerciais. A ministra da pasta, Simone Tebet, estava prevista para participar, mas cancelou a agenda.
Quem levanta a possibilidade é o gerente de Integração e Parceira da Semades (Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável), Paulo César Fialho. “Campo Grande pode ser o escritório da Rota, a maior cidade do corredor bioceânico. Hoje em dia, nosso principal parceiro comercial é a China. Com a rota, vai ser viável caminhões indo para Ásia cheios e voltando cheios”.
Segundo Fialho, os valores de eletrônicos e do salmão, por exemplo, podem ter redução. “Temos grande consumo de salmão na Capital e a Rota pode baratear esse tipo de produto”, defendeu.
Ainda na audiência, os vereadores cobraram mais divulgação sobre a Rota Bioceânica. “Campo Grande tem que se diversificar e se reinventar. Parar de depender de serviço público e pequenos comércios. A Rota Biomecânica vai ser algo importante para atraímos grandes indústrias para Campo Grande”, disse o vereador Maicon Nogueira (PP).

Rota Bioceânica
A Rota Bioceânica é um corredor rodoviário internacional de mais de 2,4 mil quilômetros que conecta os oceanos Atlântico e Pacífico. Vai integrar quatro países da América do Sul — Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. A expectativa é de que a Rota Bioceânica reduza em até 30% os custos logísticos e de 15 a 17 dias o tempo de transporte em relação ao caminho pelo Porto de Santos.
A Rota Bioceânica promete impulsionar significativamente a economia de Mato Grosso do Sul, ao facilitar o escoamento de produtos para os mercados asiáticos por meio de portos no Chile, reduzindo custos logísticos e o tempo de transporte.
Fase de construção da Rota
Com 75% da obra concluída, a Ponte Internacional da Rota Bioceânica, que vai ligar o município sul-mato-grossense de Porto Murtinho a Carmelo Peralta, no Paraguai, deverá ser finalizada no segundo semestre de 2026.
Já as obras de acesso à estrutura, que compreendem cerca de 13 quilômetros de extensão em território brasileiro, têm previsão de entrega até o fim do mesmo ano.
Segundo informações da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), a obra da ponte, com 1.294 metros de extensão e 21 metros de largura, já atingiu 75% de execução. O acesso rodoviário, com 13,1 km, está aproximadamente 17% pronto. Nesse trecho, estão sendo construídas quatro pontes intermediárias, sendo uma delas com quase 700 metros de extensão, devido à travessia de uma área alagada.
A estrutura estaiada é considerada estratégica para consolidar o Corredor Rodoviário de Capricórnio (Rota Bioceânica), ligando os portos do Norte do Chile (Antofagasta e Iquique), passando por Paraguai e Argentina, até os portos brasileiros, como o de Porto Murtinho e, futuramente, outros da costa atlântica.
Além da ponte e dos acessos, está prevista a construção de infraestruturas alfandegárias integradas dos dois lados da fronteira. Segundo a Receita Federal, o fluxo inicial estimado é de 250 caminhões por dia, podendo aumentar à medida que a Rota for consolidada como alternativa logística de exportação e importação para o Mercosul e a Ásia.
Fonte: Midiamax

