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Campo Grande deve virar hub de exportação com Corredor Bioceânico

Campo Grande caminha para deixar de ser apenas ponto de passagem de caminhões e assumir o papel de “porta de saída” das exportações brasileiras rumo ao Pacífico. A avaliação é do vice-presidente extraordinário de Relações Internacionais da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), Danilo Guedes, após o seminário internacional sobre o Sistema TIR e o Corredor Bioceânico realizado na quinta-feira (5), na Capital.

Segundo Guedes, a combinação do corredor ligando Brasil, Paraguai, Argentina e Chile com o Sistema TIR – modelo global para o transporte internacional de cargas – deve mudar o eixo da logística brasileira, hoje concentrado no Sul do País.

“Campo Grande deixa de ser apenas um estado de passagem para se tornar um dos principais hubs logísticos de exportação para o Pacífico”, afirmou no Giro Estadual de Notícias, nesta sexta-feira (6).

Na prática, o Sistema TIR é um regime aduaneiro internacional, gerido pela ONU e operado pela IRU (União Internacional dos Transportes Rodoviários), que permite ao caminhão cruzar fronteiras com menos paradas e mais segurança.

Danilo Guedes concede entrevista ao vivo e reforça que a adoção do Sistema TIR pode reduzir em até 30% os custos logísticos, dando mais competitividade ao transporte rodoviário de cargas no país

Hoje, segundo Guedes, o grande gargalo de quem trabalha com transporte internacional é o tempo perdido nas aduanas. “Um caminhão parado custa cerca de R$ 1.500 por dia. Num trajeto de São Paulo ao Chile, a viagem leva uns 10 dias e a gente chega a perder 2 ou 3 dias só de fronteira. Isso pode representar 10%, 15%, até 20% do valor do frete”, detalhou.

De acordo com estudos apresentados no seminário por área técnica do Ministério dos Transportes, a implantação do TIR pode reduzir em até 30% os custos logísticos do transporte rodoviário de carga. “Redução de custo, menos tempo e mais segurança significam mais dinheiro na mesa do transportador e frete mais competitivo para exportadores e importadores”, resumiu o vice-presidente da NTC&Logística.

Sistema TIR já vale no Brasil, mas falta rodar na prática

O Brasil internalizou o Sistema TIR em 30 de janeiro de 2026. O regime já funciona em mais de 70 países, principalmente na Europa e no Oriente Médio, e agora começa a ser adaptado à realidade sul-americana.

Para operar de fato, porém, o sistema precisa estar ativo também nos países vizinhos por onde a carga vai passar. “Não adianta o Brasil ter o TIR e a Argentina ou o Paraguai não terem. Tem que estar funcionando na ponta”, explicou Guedes.

Segundo ele, a Argentina já aderiu, o Chile também, e o Paraguai está em processo de adesão. No lado brasileiro, a Receita Federal participou do seminário em Campo Grande e trabalha na integração dos sistemas.

Fonte: A Crítica

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