Antofagasta: O desafio do desenvolvimento a longo prazo
A necessidade de definir as contribuições da infraestrutura para o desenvolvimento torna-se cada vez mais urgente, especialmente quando compreendemos que não se trata de um conceito genérico, mas sim de um processo vinculado às características específicas de cada território. Cada região possui um potencial único, e é dentro desse potencial que devemos identificar as chaves para que a infraestrutura atue como catalisadora de investimentos, capaz de transformar a realidade e, assim, melhorar a qualidade de vida de seus habitantes.
A Região de Antofagasta se posiciona atualmente como o território com maior potencial de desenvolvimento no Chile. Sua importância decorre da convergência de motores econômicos altamente dinâmicos: a mineração tradicional de cobre e lítio, com projeções de investimento multimilionárias; o crescimento das energias renováveis que abastecerão o país; o hidrogênio verde emergente como substituto dos combustíveis fósseis; um setor logístico impulsionado pelo Corredor Bioceânico — que nos conecta ao Brasil, Paraguai e Argentina — e o turismo baseado em condições geográficas excepcionais.
No entanto, o grande desafio reside em transformar esse crescimento em desenvolvimento sustentável a longo prazo, impedindo que seja apenas um episódio passageiro como os que a região já vivenciou no passado. Apesar da perspectiva otimista, o “paradoxo do crescimento” persiste, manifestando-se em lacunas críticas como alto desemprego, pobreza, escassez de moradias e sistemas de educação e saúde que ainda não acompanharam o potencial econômico da região.
Alcançar o desenvolvimento integral exige responsabilidade compartilhada. O setor privado deve ser não apenas um investidor ativo, mas também um participante proativo na elaboração de políticas públicas que integrem as indústrias e ampliem seu impacto econômico para além das próprias operações de mineração. Enquanto isso, o setor público deve criar as condições para que os investimentos se concretizem de forma rápida e eficiente. Para tanto, a coordenação entre os governos regionais e o governo central é essencial.
A partir do Conselho de Políticas de Infraestrutura, defendemos que é possível promover iniciativas-chave. Uma questão de grande relevância é explorar a possibilidade de realizar investimentos compartilhados em infraestrutura, como dessalinização, transmissão de energia e fibra óptica. Nesse sentido, um objetivo estratégico poderia ser tornar Antofagasta, dentro de dez anos, a região com a água e a energia mais baratas do país, ao mesmo tempo em que se melhora o ambiente urbano com transporte de última geração, rodovias que garantam conectividade e serviços de saúde e educação.
Para alcançar esse objetivo, será necessário idealizar um arcabouço institucional facilitador, no qual os setores público, privado e comunitário convirjam para priorizar resultados em detrimento de processos burocráticos. Somente assim poderemos garantir que a riqueza regional se traduza em uma melhoria mensurável na qualidade de vida, consolidando Antofagasta como um local de excelência e não apenas uma zona de trânsito.
Fonte: Por Carlos Cruz – Ex-Ante

