A outra Tríplice Fronteira: Riera reforça a segurança no Chaco para conter o crime organizado
O Ministro Enrique Riera anunciou um investimento de um milhão de dólares para fortalecer a segurança no Chaco paraguaio. Este plano estratégico, segundo o Ministro do Interior, visa estabelecer uma presença estatal em uma região historicamente negligenciada, mas com significativo potencial econômico. A iniciativa surge da necessidade de proteger a geração de riqueza e o desenvolvimento logístico na área que circunda o Corredor Bioceânico, que ligará os portos do Brasil e do Chile, passando pelo Paraguai e pela Argentina.
O foco principal será Filadélfia, onde Riera anunciou a construção da maior e mais importante sede departamental da Polícia em todo o Paraguai. Essa nova instalação contará com infraestrutura moderna para centralizar as operações policiais no coração da Região Oeste. O início oficial das operações e da construção está previsto para o próximo ano.
Ao longo do Corredor Bioceânico, estão em andamento planos para instalar dez postos policiais estratégicos a cada 50 quilômetros. Essa rede cobrirá toda a extensão de 500 quilômetros que liga as fronteiras, garantindo o controle constante do tráfego e do comércio. Com essa medida, o governo visa proteger a rota contra o avanço de organizações criminosas que atuam em praticamente todo o Paraguai.
Em Filadélfia, será construída a maior e mais importante Diretoria Departamental de Polícia de todo o Paraguai, com infraestrutura moderna para centralizar as operações policiais no coração da Região Oeste.
A urgência dessas medidas é evidente. Operações como a recente apreensão de 15 quilos de cocaína provenientes da Bolívia, em uma operação em Mariscal Estigarribia, que resultou na prisão de três cidadãos bolivianos que transportavam a carga, confirmam a utilização da região do Chaco como um centro logístico para o tráfico de cocaína para mercados internacionais, incluindo o Brasil e a Europa, por via fluvial.

Analistas alertam que o Paraguai, e a região do Chaco em particular, tornou-se um ponto de trânsito crucial para o tráfico de cocaína da Bolívia para o Brasil. O território do Chaco facilita o fluxo de precursores químicos e drogas, alimentando o poder das facções criminosas na região. A “outra Tríplice Fronteira” está, portanto, se tornando um campo de atuação fundamental para o crime organizado expandir suas redes operacionais.
A especialista internacional Laura Etcharrem alertou recentemente que o Corredor Bioceânico pode ser explorado por organizações como o PCC e o Comando Vermelho, que têm forte presença no Paraguai.
Sem uma supervisão estatal eficaz, este megaprojeto corre o risco de se tornar uma “rodovia do crime” para lavagem de dinheiro, alertou ele. As facções já identificaram as vulnerabilidades dos centros comerciais para diversificar suas atividades ilícitas em toda a região.
O Ministro Riera enfatizou que a região do Chaco é a “terra prometida” e que sua proteção é essencial para o sucesso do investimento nacional. Essa mudança de abordagem busca reverter anos de presença institucional limitada em áreas-chave para a conectividade no Cone Sul. A segurança é apresentada como um pré-requisito para garantir o crescimento produtivo que a nova rota trará.
Um exemplo claro da utilização da região do Chaco para essas atividades é a fazenda El Tigre, de propriedade de Jarvis Chimenes Pavão, que servia como principal base logística para o envio de grandes quantidades de cocaína para portos europeus. Investigadores ligam esse enclave do Chaco a pelo menos cinco grandes carregamentos detectados na Europa desde meados de 2020. A organização criminosa escondia as drogas em produtos legítimos, como couro, carvão e grãos, para facilitar o transporte fluvial.
Em pouco mais de um ano, 38 toneladas de cocaína paraguaia foram apreendidas na Europa, demonstrando a dimensão das operações dessa rede criminosa. Investigações confirmam que El Tigre recebia voos diários da Bolívia e do Peru para estocar as drogas antes do envio final para o exterior.
Fonte: La Politica Online

